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quarta-feira, 28 de março de 2012

HOMENAGEM A MILLÔR FERNANDES

Enterrem meu corpo em qualquer lugar.
Que não seja, porém, um cemitério.
De preferência, mata;
Na Gávea, na Tijuca, em Jacarepaguá.
Na tumba, em letras fundas,
Que o tempo não destrua,
Meu nome gravado claramente.
De modo que, um dia,
Um casal desgarrado
Em busca de sossego
Ou de saciedade solitária,
Me descubra entre folhas,
Detritos vegetais,
Cheiros de bichos mortos
(Como eu).
E, como uma longa árvore desgalhada
Levantou um pouco a laje do meu túmulo
Com a raiz poderosa,
Haja a vaga impressão
De que não estou na morada.
Não sairei, prometo.
Estarei fenecendo normalmente
Em meu canteiro final.
E o casal repetirá meu nome,
Sem saber quem eu fui,
E se irá embora,
Preso à angústia infinita
Do ser e do não ser.
Sol e chuva ocasionais,
Estes sim, imortais.
Até que um dia, de mim caia a semente
De onde há de brotar a flor
Que eu peço que se chame
Papáverum Millôr 

Millôr Fernandes

Esta foi minha homenagem a este jornalista e escritor que
faleceu ontem, dia 27 de março, no Rio de Janeiro.
Ele tinha 88 anos e teve falência múltipla de órgãos, segundo familiares.
O velório está marcado para a capela 2 do Memorial do Carmo,
a partir das 15h desta quinta-feira (29), informou o cemitério.
Millôr foi um dos maiores nomes do jornalismo brasileiro.
Escreveu para a revista Cruzeiro e para
 a Veja, na qual teve uma coluna de humor.



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terça-feira, 27 de março de 2012

LÁ ONDE NINGUÉM ENTRA


Tenho silêncios que são só meus...
Profundos e reveladores...
Lá onde guardo meus segredos
ninguém é convidado a entrar...
Nem mesmo você, amor!



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domingo, 25 de março de 2012

EU E MIM, MIM E EU


Enfim sós!!! Eu e mim...Simples assim.
Passeamos por todos os lugares,
por todos os bares... bebemos juntos...
Inseparáveis, eu e mim...enfim.
Um dia, quem sabe seremos mais,
eu e mim, mim e eu: Nós quatro!
Dois pares amigos encontrando abrigo.
Adeus solidão! Ficaremos juntos, nós quatro.
Amizade eterna, pura e verdadeira.
Pra fugir da rotina trocamos os pares...
Eu e eu, mim e mim...Simples assim!!!

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sexta-feira, 23 de março de 2012

Shakespeare


De almas sinceras a união sincera
Nada há que impeça: amor não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera,
Ou se vacila ao mínimo temor.
Amor é um marco eterno, dominante,
Que encara a tempestade com bravura;
É astro que norteia a vela errante,
Cujo valor se ignora, lá na altura.
Amor não teme o tempo, muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade;
Amor não se transforma de hora em hora,
Antes se afirma para a eternidade.
Se isso é falso, e que é falso alguém provou,
Eu não sou poeta, e ninguém nunca amou.

William Shakespeare



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quinta-feira, 22 de março de 2012

O que não...


O que não escrevi, calou-me.
O que não fiz, partiu-me.
O que não senti, doeu-se.
O que não vivi, morreu.


Lô Boelter 


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segunda-feira, 19 de março de 2012

Risco por risco...

Gravei na pedra que eu te amava,
sol noturno da esperança,
síndrome de uma ardorosa paixão,
náufrago de ardentes desejos.

De repente:
Uma palavra sussurrou da tua boca,
como um leve sopro de flauta,
que a espera não cansa de fluir,
desnuda a saudade que insiste em ficar.

Arabescos traçados risco por risco,
no veio da imaginação,
desenha um enorme ponto de exclamação.
no deserto dos devaneios.

Será amor, tesão, ilusão, fantasias,
cobertos de densas brumas
no emaranhado cálido da solidão.

Paulo Silveira de Ávila
Publicado no Recanto das Letras
Código do texto: T3390276



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sexta-feira, 16 de março de 2012

NINGUÉNS


Toda a vida acreditei:
Amor é os dois se duplicarem em UM.
Mas hoje sinto: ser um é ainda muito.
De mais.
Ambiciono, sim, ser o múltiplo de nada,
Ninguém no plural.
- Ninguéns. –

Mia Couto

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quarta-feira, 14 de março de 2012

À Poesia...



Minha homenagem ao dia
da poesia. Foi escrito no
ano passado e volto a
postar novamente.

Poesia:
Tu és senhora
Eu sou cativa
Tu me comandas
Eu obedeço
Tu és abrigo
Eu, inquilina...
Tu és semente
Eu sou o solo
Tu és raiz
Eu sou o adubo
Tu és eterna
Eu, passageira...
Tu és a rosa
Eu sou o espinho
Tu és o ovo
Eu sou o ninho
Tu és a máscara
Eu sou a face
Tu és mistério
Eu, revelação...

Marineide Dan




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terça-feira, 13 de março de 2012

NUNCA


Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só..

Florbela Espanca


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segunda-feira, 12 de março de 2012

Identidade




Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
Sou o vento que a desgasta

Sou pólen sem insecto

Sou areia sustentando
o sexo das árvores

Existo onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
ansiando a esperança do futuro

No mundo que combato morro
no mundo por que luto nasço

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"




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quinta-feira, 8 de março de 2012

"APENAS MULHER"


Há quem diga,
Que Maria Tenência 
Não sente agonia
Na dureza sentida
No final do dia
Maria Tenência,ria
De algumas alegrias,claras 
Em raras noites de amor
E no aconchego do nada
Maria Tenência
Pensa ,ama,e chora
Sufocando a dor
Na solidão de preciosas horas
Em sua resistência
Segue Maria Tenência 
Na busca do correto
Não tornando-se objeto
Nas mãos de quem, 
Não tem clemência 
Mostrando seu valor
E no plantio da semente,
Ela docemente espera 
Nascer a flor tão bela
Em campos onde o amor 
Apenas ama e não espanca!

(Mari Amorim)


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terça-feira, 6 de março de 2012

Medo de amar


‎"Ouça com o coração quando quase lhe parecer silêncio:
 é o meu amor falando baixinho
só pra não acordar o seu medo de amar."

(Ana Jácomo)




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sábado, 3 de março de 2012

Poética


Com as lágrimas do tempo
E a cal do meu dia
Eu fiz o cimento
Da minha poesia

E na perspectiva
Da vida futura
Ergui em carne viva
Sua arquitetura.

Não sei bem se é casa
Se é torre ou se é templo.
(Um templo sem Deus.)

Mas é grande e clara
Pertence ao seu tempo
.... Entrai, irmãos meus!

Vinícius de Moraes




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quinta-feira, 1 de março de 2012

VERBO CONTINUAR...


Optei pela alegria. Por raios de sol, pelo sorriso espontâneo.
Optei pelo amor maduro, pelo abraço que tranquiliza,
pela presença que acolhe.
Resolvi juntar um punhado de tristezas,
escolher uma esquecida gaveta e por lá deixar.
Acontece que o tempo é curto e a vida pulsa aqui dentro,
sempre e sem parar, me ensinando, docemente,
a conjugar o verbo continuar.

Erick Tozzo



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