SEJAM BEM VINDOS!

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terça-feira, 31 de julho de 2012

ACORDAR E VIVER



Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Autor: Carlos Drummond de Andrade






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quinta-feira, 26 de julho de 2012

BEIJO


Beijo bocas e mais bocas
Só para não ficar louca
Só para esquecer que quero
Só tua boca beijar...


Marineide Dan



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sábado, 21 de julho de 2012

Coisa Amar


Contar-te longamente as perigosas
coisas do mar. Contar-te o amor ardente
e as ilhas que só há no verbo amar.
Contar-te longamente longamente.

Amor ardente. Amor ardente. E mar.
Contar-te longamente as misteriosas
maravilhas do verbo navegar.
E mar. Amar: as coisas perigosas.

Contar-te longamente que já foi
num tempo doce coisa amar. E mar.
Contar-te longamente como doi

desembarcar nas ilhas misteriosas.
Contar-te o mar ardente e o verbo amar.
E longamente as coisas perigosas.

Manuel Alegre


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terça-feira, 17 de julho de 2012

A Língua de Nhem


Havia uma velhinha
que andava aborrecida
pois dava a sua vida
para falar com alguém.

E estava sempre em casa
a boa velhinha
resmungando sozinha:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

O gato que dormia
no canto da cozinha
escutando a velhinha,
principiou também

a miar nessa língua
e se ela resmungava,
o gatinho a acompanhava:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

Depois veio o cachorro
da casa da vizinha,
pato, cabra e galinha
de cá, de lá, de além,

e todos aprenderam
a falar noite e dia
naquela melodia
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...

De modo que a velhinha
que muito padecia
por não ter companhia
nem falar com ninguém,

ficou toda contente,
pois mal a boca abria
tudo lhe respondia:
nhem-nhem-nhem-nhem-nhem-nhem...


Cecilia Meireles

(Em homenagem a todas as criancinhas
deste mundo de Deus!)


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domingo, 15 de julho de 2012

HOJE É DIA DE...


Hoje é dia de letra nova.
De página em branco.
De frio na barriga.
Escrever pode ser doloroso.
Pode ser reconfortante.
Pode ser terapia.
Mas não importa.
Palavras me constroem.
E me vestem.
Mostrando o que – por hora –
eu não quero mais esconder...

Fernanda Mello



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quinta-feira, 12 de julho de 2012

A Tua Sede


A tua sede não perturba
o sabor dos versos!
Tão pouco impede a multiplicação da luz!
Há uma fonte nascendo
sobre a poeira mais seca
que dá vida ao cantil
derramando água esculpida de sede,
como se fosse a seiva de uma maré
inconsentida!
Aproxima a boca da nascente
e não te importes com a secura das rimas,
pois a mais bela sede
vem no poema que trazes nos lábios…

http://as-polyedro.blogspot.com/


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terça-feira, 10 de julho de 2012

Um poema de Jonas Sanches



"Doces Sussurros"

É a sua voz adocicada
Com esse sotaque que é só seu
Que me arrebata o coração
E meus pensamentos são em ti Violeta
Todo meu ser é em ti
E as luas de inverno, eu tomarei emprestadas
E farei nossas noites em um céu poético
Nós estrelas brilhando firmamentos
Então te pedirei
Que sussurre aos meus ouvidos...

É a sua voz adocicada
Que quero ouvir ao amanhecer
E sufocá-la em meus beijos
Arrebatando você toda pra mim
E tomando as flores das primaveras
Somente para o nosso leito perfumar
Então desses seus lábios eu roubarei
Aquelas palavras que me afagam o sono
Aqueles dizeres tão doces que responderei
Sussurrando a você o quanto Eu Te Amo...


Jonas R. Sanches

Jonas é autor dos livros "Trilhas de Luz" e "Nas Asas da Poesia", ambos pelo Clube de Autores.

https://clubedeautores.com.br/authors/35652



Parabéns Jonas! Você merece todo o sucesso do mundo. A você e sua musa inspiradora Elsy Mirian deixo aqui todo meu carinho e admiração! O amor de vocês é a coisa mais linda de se ver! É um raio de esperança neste mundo conturbado...Amo vocês!!!



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segunda-feira, 9 de julho de 2012

EMPRESTA



Empresta-me amigo o teu par de ombros
Como abrigo pra me sentir bem comigo e
Traz também a tua lúcida visão, urgente,
Para eu ser capaz de me ver ludicamente

Empresta-me amigo a tua cabeça pronta,
Pra ajeitar a minha que anda solta e tonta
E, me cede um feixinho da tua luz interior
Pra iluminar a treva sem trégua que estou

E ainda, com tua energia decante alquimia
Para que de novo me encante nesta magia,
Enfim, empresta sim um pouquinho teu sem
Fim e resgata assim meu euzinho pra mim?


(não conheço o autor, se alguém souber me avisa)
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domingo, 8 de julho de 2012

Soneto


O sol é grande: caem coa calma as aves, 
Do tempo em tal sazão, que sói ser fria. 
Esta água que de alto cai acordar-me-ia, 
Do sono não, mas de cuidados graves.

Ó cousas, todas vãs, todas mudaves, 
Qual é tal coração que em vós confia? 
Passam os tempos, vai dia trás dia, 
Incertos muito mais que ao vento as naves.

Eu vira já aqui sombras, vira flores, 
Vi tantas águas, vi tanta verdura, 
As aves todas cantavam de amores

Tudo é seco e mudo; e, de mistura, 
Também mudando-me eu fiz doutras cores. 
E tudo o mais renova: isto é sem cura!

Sá de Miranda

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Os agoras!


"Não sacrifique o dia de hoje pelo de amanhã. 
Se você se sente infeliz agora, tome alguma providência agora, 
pois só na sequência dos agoras é que você existe."

(desconheço o autor)

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terça-feira, 3 de julho de 2012

Minhas rosas


Toda manhã, ao sol, cabelo ao vento,
Ouvindo a água da fonte que murmura,
Rego as minhas roseiras com ternura,
Que água lhes dando, dou-lhes força e alento.

Cada um tem um suave movimento
Quando a chamar minha atenção procura
E mal desabrochada na espessura,
Manda-me um gesto de agradecimento.

Se cultivei amores às mancheias,
Culpa não cabe às minhas mãos piedosas
Que eles passassem para mãos alheias.

Hoje, esquecendo ingratidões mesquinhas,
Alimento a ilusão de que essas rosas,
Ao menos essas rosas, sejam minhas.

(Olegário Mariano)

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