terça-feira, 28 de maio de 2013
A Serenata
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado
sexta-feira, 24 de maio de 2013
"Poeminha Amoroso"
Este é um poema de amor
tão meigo, tão terno, tão teu...
É uma oferenda aos teus momentos
de luta e de brisa e de céu...
E eu,
quero te servir a poesia
numa concha azul do mar
ou numa cesta de flores do campo.
Talvez tu possas entender o meu amor.
Mas se isso não acontecer,
não importa.
Já está declarado e estampado
nas linhas e entrelinhas
deste pequeno poema,
o verso;
o tão famoso e inesperado verso que
te deixará pasmo, surpreso, perplexo...
eu te amo, perdoa-me, eu te amo...
"Poeminha Amoroso"
segunda-feira, 6 de maio de 2013
SONHADOR
Sonhos desprezados calados na mente,
sonhos de ilusões que me trazem frustrações,
na mente de um sonhador, uma triste esperança,
de seus sonhos realizados.
Sonhos da vida, sonhos que me inspiram viver
além dos sonhos.
Dudah
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esperanças e frustrações...,
ilusões,
Sonhos
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Em que tempo?
Em que reino, em que século, sob que silenciosa
Conjunção dos astros, em que dia secreto
Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa
E singular ideia de inventar a alegria?
Com outonos de ouro a inventaram.
O vinho flui rubro ao longo das gerações
Como o rio do tempo e no árduo caminho
Nos invada sua música, seu fogo e seus leões.
Na noite do júbilo ou na jornada adversa
Exalta a alegria ou mitiga o espanto
E a exaltação nova que este dia lhe canto
Outrora a cantaram o árabe e o persa.
Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história
Como se esta já fora cinza na memória.
Jorge Luis Borges
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reino,
século
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Sem remédio
Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.
E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!
Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!
Florbela Espanca
quinta-feira, 11 de abril de 2013
VIDA SEM POESIA
Vida sem poesia
é vida vazia,
não traz sonho,
e nem alegria;
por isso proponho,
ponha no verso seu dia,
a dor e a saudade,
a música, a fantasia,
a beleza da flor,
a importância do amor,
a página virada,
a mágoa apagada,
a lágrima que secou,
da saudade que passou.
Poesia é sustento,
alimento da alma,
que traz acalento
do pranto sem palmas...
que a chama faz crescer
e faz o amor vencer.
Silvia Araújo Motta
sábado, 6 de abril de 2013
Ave Bravia
Sentimento perdido
Num sonho esquecido
Sou ave que voa rasando
Num mar infinito
Mar tempestuoso
De vagas bravias
Atrasando o meu vôo
No vento perdido
Debatendo-me com força
Luto para seguir
Só quero fugir
Desta tempestade
Agito-me assim
Bato as asas sem parar
Quero ir mais longe
E o Sol alcançar
Sou ave bravia
Sou força, coragem
Sou vida sofrida
Sou luz no olhar
Vôo no infinito
Luto por sonhar
Sou ave bravia
Sou esperança no andar
(Katarina Madeira)
terça-feira, 26 de março de 2013
De Repente
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinícius de Morais)
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Vinicius de Moraes
sexta-feira, 22 de março de 2013
ANÍMICO
Nasceu no meu jardim um pé de mato
que dá flor amarela.
Toda manhã vou lá pra escutar a zoeira
da insetaria na festa.
Tem zoada de todo jeito:
tem do grosso, do fino, de aprendiz e de mestre.
É pata, é asas, é boca, é bico, é grão de
poeira e pólen na fogueira do sol.
Parece que a arvorinha conversa.
Adélia Prado
segunda-feira, 18 de março de 2013
AMIZADE VIRTUAL
"Amizade...
Pode ser virtual,
pode ser pessoal,
Não importa!
O carinho de amigo
é sempre real...
Não importa
se nunca nos vimos
frente a frente,
mas somos leais e coerentes...
Somos amigos pra sempre.
O carinho de uma amizade
não tem distância...
ela vem por linhas,
vem através da nossa telinha
e pelos olhos
de quem tem
a felicidade de enxergar...
Amizade Verdadeira existe sim.
Basta a gente acreditar e fazer acontecer!"
(Bruno Bezerra)
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