SEJAM BEM VINDOS!

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terça-feira, 25 de junho de 2013

Revolução

Pena que as revoluções 
não as façam os tiranos 
se fariam bem em ordem 
durariam menos anos 

liberdade sairia 
como verba de orçamento 
e se houvesse qualquer saldo 
se inventava suplemento 

pagamento em dia certo 
daria para isto aquilo 
o que sobrasse guardado 
de todo o assalto a silo 

mas o que falta aos tiranos 
é só imaginação 
e o jeito na circunstância 
é mesmo a revolução. 

Agostinho da Silva, in 'Poemas'





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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Na palma das tuas mãos!


"Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes -
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida." 

Cora Coralina
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terça-feira, 11 de junho de 2013

A REVOLTA


Rosas blindadas, gerânios loquazes;
Margaridas iradas, lírios perspicazes;
Crisântemos revoltados,
Orquídeas determinadas,
Girassóis armados, dálias indignadas.

Coleus mordazes, tulipas desaforadas;
Tinhorões audazes, dálias determinadas.

Até a hera parasita não hesita,
Adere e investe, aflita,
Contra o que lhe fere..

É a revolta da flora
Pondo termo a um sistema enfermo
Na inauguração da aurora.

Ainda que algumas sumam,
Murchem nas espumas da dor,
Despetaladas,
As sobreviventes bastarão
Para dar ao mundo
uma eterna paz perfumada.

Francisco Costa

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Duas faces


Sou o espanto
sou a dor
sou o desencanto.
No entanto,
tão serena
sou amor, só amor.

Odaísa T. do Nascimento Narcizo
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terça-feira, 28 de maio de 2013

A Serenata


Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis 
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos: 
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

"Poeminha Amoroso"


Este é um poema de amor 
tão meigo, tão terno, tão teu... 
É uma oferenda aos teus momentos 
de luta e de brisa e de céu... 
E eu, 
quero te servir a poesia 
numa concha azul do mar 
ou numa cesta de flores do campo. 
Talvez tu possas entender o meu amor. 
Mas se isso não acontecer, 
não importa. 
Já está declarado e estampado 
nas linhas e entrelinhas 
deste pequeno poema, 
o verso; 
o tão famoso e inesperado verso que 
te deixará pasmo, surpreso, perplexo... 
eu te amo, perdoa-me, eu te amo... 
"Poeminha Amoroso"

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segunda-feira, 6 de maio de 2013

SONHADOR


Sonhos desprezados calados na mente,
sonhos de ilusões que me trazem frustrações,
na mente de um sonhador, uma triste esperança,
de seus sonhos realizados.
Sonhos da vida, sonhos que me inspiram viver
além dos sonhos.

Dudah

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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Em que tempo?


Em que reino, em que século, sob que silenciosa 
Conjunção dos astros, em que dia secreto 
Que o mármore não salvou, surgiu a valorosa 
E singular ideia de inventar a alegria? 
Com outonos de ouro a inventaram. 
O vinho flui rubro ao longo das gerações 
Como o rio do tempo e no árduo caminho 
Nos invada sua música, seu fogo e seus leões. 
Na noite do júbilo ou na jornada adversa 
Exalta a alegria ou mitiga o espanto 
E a exaltação nova que este dia lhe canto 
Outrora a cantaram o árabe e o persa. 
Vinho, ensina-me a arte de ver minha própria história 
Como se esta já fora cinza na memória.

 Jorge Luis Borges

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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Sem remédio


Aqueles que me têm muito amor
Não sabem o que sinto e o que sou...
Não sabem que passou, um dia, a Dor
À minha porta e, nesse dia, entrou.

E é desde então que eu sinto este pavor,
Este frio que anda em mim, e que gelou
O que de bom me deu Nosso Senhor!
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!!

Sinto os passos de Dor, essa cadência
Que é já tortura infinda, que é demência!
Que é já vontade doida de gritar!

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,
A mesma angústia funda, sem remédio,
Andando atrás de mim, sem me largar!

                               Florbela Espanca


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quinta-feira, 11 de abril de 2013

VIDA SEM POESIA


Vida sem poesia
é vida vazia,
não traz sonho,
e nem alegria;
por isso proponho,
ponha no verso seu dia,
a dor e a saudade,
a música, a fantasia,
a beleza da flor,
a importância do amor,
a página virada,
a mágoa apagada,
a lágrima que secou,
da saudade que passou.
Poesia é sustento,
alimento da alma,
que traz acalento
do pranto sem palmas...
que a chama faz crescer
e faz o amor vencer.

Silvia Araújo Motta 


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