sábado, 6 de abril de 2013
Ave Bravia
Sentimento perdido
Num sonho esquecido
Sou ave que voa rasando
Num mar infinito
Mar tempestuoso
De vagas bravias
Atrasando o meu vôo
No vento perdido
Debatendo-me com força
Luto para seguir
Só quero fugir
Desta tempestade
Agito-me assim
Bato as asas sem parar
Quero ir mais longe
E o Sol alcançar
Sou ave bravia
Sou força, coragem
Sou vida sofrida
Sou luz no olhar
Vôo no infinito
Luto por sonhar
Sou ave bravia
Sou esperança no andar
(Katarina Madeira)
terça-feira, 26 de março de 2013
De Repente
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente.
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinícius de Morais)
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Vinicius de Moraes
sexta-feira, 22 de março de 2013
ANÍMICO
Nasceu no meu jardim um pé de mato
que dá flor amarela.
Toda manhã vou lá pra escutar a zoeira
da insetaria na festa.
Tem zoada de todo jeito:
tem do grosso, do fino, de aprendiz e de mestre.
É pata, é asas, é boca, é bico, é grão de
poeira e pólen na fogueira do sol.
Parece que a arvorinha conversa.
Adélia Prado
segunda-feira, 18 de março de 2013
AMIZADE VIRTUAL
"Amizade...
Pode ser virtual,
pode ser pessoal,
Não importa!
O carinho de amigo
é sempre real...
Não importa
se nunca nos vimos
frente a frente,
mas somos leais e coerentes...
Somos amigos pra sempre.
O carinho de uma amizade
não tem distância...
ela vem por linhas,
vem através da nossa telinha
e pelos olhos
de quem tem
a felicidade de enxergar...
Amizade Verdadeira existe sim.
Basta a gente acreditar e fazer acontecer!"
(Bruno Bezerra)
quinta-feira, 14 de março de 2013
HOMENAGEM AO DIA DA POESIA
À Poesia...
Tu és senhora
Eu sou cativa
Tu me comandas
Eu obedeço
Tu és abrigo
Eu, inquilina...
Tu és semente
Eu sou o solo
Tu és raiz
Eu sou o adubo
Tu és eterna
Eu, passageira...
Tu és a rosa
Eu sou o espinho
Tu és o ovo
Eu sou o ninho
Tu és a máscara
Eu sou a face
Tu és mistério
Eu, revelação...
Dan
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terça-feira, 12 de março de 2013
EU
Sou só e sou eu mesma. O que pensem e digam
os demais, nada importa; eu tenho a minha lei.
Que outros a multidão, covardemente, sigam,
pelo caminho oposto, altiva, eu seguirei.
Que, sem brio e vergonha, outros tudo consigam
e que zombem de mim porque nada alcancei;
quanto mais, com seu ódio, o meu nome persigam,
tanto mais orgulhosa em trazê-lo, serei.
Às pedradas não fujo e as tormentas aceito;
mas a espinha não curvo em prol de algum proveito,
minha atitude sempre a mesma se revela;
A mim mesma fiel, a minha fé não traio;
e, se em dia fatal ferida pelo raio
tombar minha bandeira eu tombarei com ela!
(Adelaide (Yde) Schloenbach Blumenschein)
sábado, 2 de março de 2013
Querer
Não te quero senão porque te quero
E de querer-te a não querer-te chego
E de esperar-te quando não te espero
Passa meu coração do frio ao fogo.
Te quero só porque a ti te quero,
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo,
E a medida de meu amor viageiro
É não ver-te e amar-te como um cego.
Talvez consumirá a luz de janeiro
Seu raio cruel, meu coração inteiro,
Roubando-me a chave do sossego.
Nesta história só eu morro
E morrerei de amor porque te quero,
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.
(Pablo Neruda)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Semear...Colher
"Se temos de esperar, que seja para colher a semente boa que
lançamos hoje no solo da vida. Se for para semear, então que seja
para produzir milhões de sorrisos, de solidariedade e amizade."
Cora Coralina
domingo, 17 de fevereiro de 2013
A Serenata
Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
BUSQUE-ME
Quando quiseres achar-me, busque-me...
Na primeira estrela do dia, que adotei como guia,
é lá que vivo a morar.
No sorriso das crianças, na inocência da velhice,
no canto de cada olhar.
Nas entrelinhas da vida, que com muita sutileza
devemos aproveitar.
Nas noites de lua cheia, num leito morno e macio,
no adormecer, no sonhar.
No despertar preguiçoso, com hinos da bicharada,
num gostoso madrugar.
No cavalo que passeia pelos campos a trotar,
no bezerrinho mamando para a fome saciar.
Nas águas mansas do rio, no horizonte perdido,
no céu azul, no luar.
No morno ventre da terra, onde se põe a gerar,
o alimento que um dia vai o homem alimentar.
No sol que brilha de dia, no calor que ele irradia,
nume pele a bronzear.
Nos pés descalços na areia, nas cantigas das sereias,
nas ondas brancas do mar.
No sopro do vento frio, que foge para as montanhas
pra melhor se agasalhar.
No barco de um pescador, na isca para fisgar,
o peixe desconfiado que não se deixou pescar.
No cruzar de dois amantes, no prazer de cada encontro,
nos filhos que vai gerar.
Na música, na melodia, no livro, na poesia,
numa igreja a meditar.
Nos gestos de cortesia, no agradecer sem falar,
no perfume de uma flor que nasceu para enfeitar.
Numa entrega verdadeira, no carinho, na ternura,
no amor que um filho traz.
Num sentimento que brota do encontro de um olhar,
numa paixão repentina, no doce medo de amar...
Marineide Dan
(Janeiro de 1983)
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