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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

POEMA DE NATAL


Natal... Na província neva. 
Nos lares aconchegados, 
Um sentimento conserva 
Os sentimentos passados.
  
Coração oposto ao mundo, 
Como a família é verdade ! 
Meu pensamento é profundo, 
Estou só e sonho saudade. 

E como é branca de graça 
A paisagem que não sei, 
Vista de trás da vidraça 
Do lar que nunca terei!

Fernando Pessoa
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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Noturno

De noite todos os meus pensamentos são escuros
E todas as palavras têm a letra "u"
Rude
Virtude
Cruzes!
Até mesmo, Bandeira, teu "sapo-cururu da beira do rio"!
Não me digam que o melhor é acender todas as luzes!
Odeio a luz elétrica e todas as luzes artificiais.
A gente repousa na escuridão como num ventre maternal.
E o melhor enredo para isso tudo
É me atirar de súbito num açude
Seco!

Mario Quintana

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quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Pássaros

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam voo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti...

Mario Quintana - Antologia Poética

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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Rima, rima?

Uma flor
Uma dor
Um amor
Palavras que rimam
Mas tem que rimar para haver poesia?
Uma flor não poderia rimar com uma dor
E rima
um amor deveria rimar com uma flor
nunca com uma dor
mas rima
melhor seria não rimar ou não haver poesia?
Melhor seria que amor rimasse com flor e não doesse tanto

Elisa
( Elisabeth Salazar Martins )

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quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Poema da purificação

Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.
As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.
Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.

Carlos Drummond de Andrade
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domingo, 27 de outubro de 2013

Soneto XXXV

Quando eu morrer e no frescor de lua
Da casa nova me quedar a sós,
Deixai-me em paz na minha quieta rua...
Nada mais quero com nenhum de vós!

Quero é ficar com alguns poemas tortos
Que andei tentando endireitar em vão...
Que lindo a Eternidade, amigos mortos,
Para as torturas Lentas da Expressão!...

Eu levar ei comigo as madrugadas,
Pôr de sóis, algum luar, asas em bando,
Mais o rir das primeiras namoradas...

E um dia a morte há de fitar com espanto
Os fios de vida que eu urdi, cantando,
Na orla negra do seu negro manto...

Mario Quintana 


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domingo, 20 de outubro de 2013

CINCO COISAS...

"Quero apenas cinco coisas...
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando."

Pablo Neruda
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domingo, 13 de outubro de 2013

Canção do dia de sempre


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...

Mario Quintana


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sábado, 5 de outubro de 2013

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.

Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.

Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.

Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

( Cora Coralina )

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segunda-feira, 30 de setembro de 2013

SER POETA

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

                                  Florbela Espanca

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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

BEM NO FUNDO


No fundo, no fundo, 
bem lá no fundo, 
a gente gostaria 
de ver nossos problemas 
resolvidos por decreto  

a partir desta data, 
aquela mágoa sem remédio 
é considerada nula 
e sobre ela -- silêncio perpétuo 

extinto por lei todo o remorso, 
maldito seja quem olhar pra trás, 
lá pra trás não há nada, 
e nada mais  

mas problemas não se resolvem, 
problemas têm família grande, 
e aos domingos saem todos passear 
o problema, sua senhora 
e outros pequenos probleminhas.

Paulo Leminski

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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

QUERER...

Não te quero senão porque te quero 
E de querer-te a não querer-te chego 
E de esperar-te quando não te espero 
Passa meu coração do frio ao fogo. 
Te quero só porque a ti te quero, 
Te odeio sem fim, e odiando-te rogo, 
E a medida de meu amor viageiro 
É não ver-te e amar-te como um cego. 
Talvez consumirá a luz de janeiro 
Seu raio cruel, meu coração inteiro, 
Roubando-me a chave do sossego. 
Nesta história só eu morro 
E morrerei de amor porque te quero, 
Porque te quero, amor, a sangue e a fogo.

Pablo Neruda
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terça-feira, 17 de setembro de 2013

BILHETE

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Mario Quintana
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sábado, 14 de setembro de 2013

Amor em paz

Eu amei
Eu amei, ai de mim, muito mais
Do que devia amar
E chorei
Ao sentir que iria sofrer
E me desesperar

Foi então
Que da minha infinita tristeza
Aconteceu você
Encontrei em você a razão de viver 
E de amar em paz
E não sofrer mais
Nunca mais
Porque o amor é a coisa mais triste
Quando se desfaz

Vinícius de Moraes

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

MULHER DA VIDA

Mulher da Vida,
Minha irmã.
De todos os tempos.
De todos os povos.
De todas as latitudes.
Ela vem do fundo imemorial das idades
e carrega a carga pesada
dos mais torpes sinônimos,
apelidos e ápodos:
Mulher da zona,
Mulher da rua,
Mulher perdida,
Mulher à toa.
Mulher da vida,
Minha irmã.’

Cora Coralina
(Poemas de Goiás e Estórias Mais, p.201, 1996)
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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

NÃO DIGAS...

“Não digas onde acaba o dia.
Onde começa a noite.
Não fales palavras vãs.
As palavras do mundo.
Não digas onde começa a Terra,
Onde termina o céu
Não digas até onde és tu.
Não digas desde onde és Deus.
Não fales palavras vãs.
Desfaze-te da vaidade triste de falar.
Pensa,completamente silencioso,
Até a glória de ficar silencioso,
Sem pensar”.

(Cecília Meireles)

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terça-feira, 16 de julho de 2013

SEI NÃO...

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sábado, 13 de julho de 2013

QUE ESTE AMOR...


Que este amor não me cegue nem me siga. 
E de mim mesma nunca se aperceba. 
Que me exclua do estar sendo perseguida 
E do tormento 

De só por ele me saber estar sendo. 
Que o olhar não se perca nas tulipas 
Pois formas tão perfeitas de beleza 
Vêm do fulgor das trevas. 

E o meu Senhor habita o rutilante escuro 
De um suposto de heras em alto muro.  
Que este amor só me faça descontente 
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas 

Eu me faça pequena. E diminuta e tenra 
Como só soem ser aranhas e formigas.  
Que este amor só me veja de partida.
(Hilda Hilst)
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segunda-feira, 1 de julho de 2013

IDADE

Não importa se a estação do ano muda...
Se o século vira, se o milênio é outro.
Se a idade aumenta...
Conserva a vontade de viver,
Não se chega a parte alguma sem ela."

Fernando Pessoa

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terça-feira, 25 de junho de 2013

Revolução

Pena que as revoluções 
não as façam os tiranos 
se fariam bem em ordem 
durariam menos anos 

liberdade sairia 
como verba de orçamento 
e se houvesse qualquer saldo 
se inventava suplemento 

pagamento em dia certo 
daria para isto aquilo 
o que sobrasse guardado 
de todo o assalto a silo 

mas o que falta aos tiranos 
é só imaginação 
e o jeito na circunstância 
é mesmo a revolução. 

Agostinho da Silva, in 'Poemas'





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sexta-feira, 14 de junho de 2013

Na palma das tuas mãos!


"Nas palmas de tuas mãos
leio as linhas da minha vida.
Linhas cruzadas, sinuosas,
interferindo no teu destino.
Não te procurei, não me procurastes -
íamos sozinhos por estradas diferentes.
Indiferentes, cruzamos
Passavas com o fardo da vida...
Corri ao teu encontro.
Sorri. Falamos.
Esse dia foi marcado
com a pedra branca
da cabeça de um peixe.
E, desde então, caminhamos
juntos pela vida." 

Cora Coralina
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terça-feira, 11 de junho de 2013

A REVOLTA


Rosas blindadas, gerânios loquazes;
Margaridas iradas, lírios perspicazes;
Crisântemos revoltados,
Orquídeas determinadas,
Girassóis armados, dálias indignadas.

Coleus mordazes, tulipas desaforadas;
Tinhorões audazes, dálias determinadas.

Até a hera parasita não hesita,
Adere e investe, aflita,
Contra o que lhe fere..

É a revolta da flora
Pondo termo a um sistema enfermo
Na inauguração da aurora.

Ainda que algumas sumam,
Murchem nas espumas da dor,
Despetaladas,
As sobreviventes bastarão
Para dar ao mundo
uma eterna paz perfumada.

Francisco Costa

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Duas faces


Sou o espanto
sou a dor
sou o desencanto.
No entanto,
tão serena
sou amor, só amor.

Odaísa T. do Nascimento Narcizo
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terça-feira, 28 de maio de 2013

A Serenata


Uma noite de lua pálida e gerânios
ele virá com a boca e mão incríveis 
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos: 
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobo
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela,se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?
Adélia Prado

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

"Poeminha Amoroso"


Este é um poema de amor 
tão meigo, tão terno, tão teu... 
É uma oferenda aos teus momentos 
de luta e de brisa e de céu... 
E eu, 
quero te servir a poesia 
numa concha azul do mar 
ou numa cesta de flores do campo. 
Talvez tu possas entender o meu amor. 
Mas se isso não acontecer, 
não importa. 
Já está declarado e estampado 
nas linhas e entrelinhas 
deste pequeno poema, 
o verso; 
o tão famoso e inesperado verso que 
te deixará pasmo, surpreso, perplexo... 
eu te amo, perdoa-me, eu te amo... 
"Poeminha Amoroso"

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